• Café
    Museu da Roça
    Blog do MUR

Quando o clima começa a esfriar, uma fruta de cheiro forte e cítrico domina várias partes do País. Poncã, mexerica, morgote, bergamota ou mimosa? Existe muita confusão em relação a essa fruta, tanto pelas variedades existentes como pelas denominações regionais que recebe. Saiba um pouco mais da tangerina e das variações dela.

Todos os nomes citados são derivados da tangerina (Citrus reticulata). Essa fruta cítrica, alaranjada e adocicada é uma espécie selvagem e antiga, nativa originalmente da Ásia, cujas variações também deram origem à laranja.

Tangerina

A fruta chegou ao Brasil na década de 1890 e logo se adaptou a várias partes do País, em razão do clima e do solo. É rica em vitaminas A e C, sais minerais, potássio, magnésio, cálcio e fósforo, sendo, portanto, um alimento importante na prevenção e no combate a várias doenças.

Atualmente, quatro principais tipos de tangerina são produzidos e comercializados no País. O problema é que, em cada região, essas variedades têm nomes que se misturam, fazem referências a diferentes espécies ou são exclusivos de determinadas áreas. Os tipos são:

poncã;
laranja montenegrina ou mimosa;
mexerica;
morgote ou murcote.

Nomenclatura das tangerinas

As variações de nomenclatura estão ligadas aos diferentes colonos que introduziram a fruta no País. “Poncã”, por exemplo, é uma palavra de origem japonesa; “bergamota” tem origem árabe; e mexerica vem do verbo português “mexericar”.

No Rio Grande do Sul, o termo mais utilizado é “bergamota” ou “vergamota”. No Paraná, principalmente em Curitiba e no litoral, utiliza-se “mimosa”. No Sudeste, no norte do Paraná e no Centro-Oeste, a palavra mais utilizada para designar as tangerinas é “mexerica”. Já no Nordeste, além de “mexerica” e “tangerina”, pode-se encontrar o termo “laranja-cravo”. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, é comum utilizar o termo “poncã” para qualquer variedade de tangerina, enquanto em outras partes do País essa palavra indica uma variedade específica da fruta.

A maioria das variedades da tangerina vem de Citrus reticulata, porém variam em sabor, tamanho e aroma. Conheça os principais tipos existentes no Brasil.

Tipos de tangerina no Brasil

Poncã
Tem o fruto maior, com a casca macia, de coloração laranja amarelada e mais solta dos gomos. O sabor é mais doce do que o da maioria das outras variedades de tangerina.

Mexerica
Essa variação da tangerina vem da Citrus deliciosa e é caracterizada por ser menor e ter frutos mais ácidos do que os da poncã.

Morgote ou murcote
É um híbrido de tangerina e laranja. Também é menor em relação à poncã e tem a casca mais aderida aos gomos, mas que mesmo assim se desgruda facilmente.

Montenegrina
A variedade chamada de montenegrina vem da região de Montenegro, no Rio Grande do Sul. É menor que a poncã e tem coloração mais avermelhada. O sabor é mais cítrico, sem perder a doçura. O termo “mimosa” designa essa variedade em parte do Paraná e de Santa Catarina.

Outras variações comuns existentes no Brasil são dancy, laranja-cravo, dekopon e Citrus nobilis Lour.

Apesar das variações, a tangerina é plantada em quase todas as áreas do Brasil e pode gerar bons resultados. A árvore começa a dar frutos no segundo ano e continua aumentando a produção até o décimo ano de cultivo. Entre o décimo ano e o vigésimo ano, as árvores podem chegar a produzir 250 quilogramas de frutos por ano.

A tangerina se desenvolve melhor entre 23°C e 32°C. Temperaturas mais baixas tendem a aumentar a acidez dos frutos, e calor ou frio extremos diminuem a produtividade. O método de propagação mais utilizado é enxertia, sendo indicado que a muda seja comprada de um viveirista com certificação, para garantir a variedade ideal para cada região.

No plantio, o espaçamento recomendado é de 7 metros entre linhas e de 3,5 metros entre plantas. A tangerina é considerada uma cultura de inverno, com maior produtividade entre maio e agosto, porém a colheita pode divergir em cada uma das variedades. A tangerina-cravo é colhida entre março e abril; a mexerica do rio, entre abril e maio; a poncã é normalmente colhida na metade do ano; e a morgote, até outubro.


Fonte: www.summitagro.estadao.com.br